31 julho 2009

Se o sonho se pudesse evitar, que belo seria o sonho que não teríamos de enfrentar cada vez que nos atrevemos a acordar!
Separo-me de ti pela segunda vez e uma vez mais fico contigo. Será este aperto a minha forma de te dizer que te sinto ou a simples expressão estupidamente inesperada da minha insegurança? Nada parece fazer sentido quando sei que não te posso falar, ver, sentir...
Toda a minha força parece ter ficado contigo, a apoiar-te! Deixei-me ficar com o pouco que tenho: tudo o sinto e que tanto me assusta, que tanto me domina, a ponto de já não me sentir eu. Será isto Amor? Será? É, talvez, apenas, o que sublimemente, na minha insignificância, sinto por ti.
Bem sei que a distância pode ser cruel, mas pensa bem em nós... Esta distância permite-nos imaginar, recriar, reinventar toda a nossa história, o nosso rosto, a nossa pele. Na verdade, muito mais aterrorizador pode ser o reencontro, e com ele, a invariável desilusão que se adivinha ao encontrarmos a velha história, rosto e pele.
Volta depressa!

01 julho 2009

Esperas...

A espera sempre por algo, por alguém, tem um carácter quase filosófico. Torna-se insistente na forma como dissimuladamente compõe a nossa vida. A espera para entrar, para sair, para apanhar o elevador, para chegar ao trabalho - em filas de chapa intermináveis - para iniciar a contagem que se espera - nós e eles - que termine rapidamente. E esperamos!
Se tantos momentos são só de espera, estes devem ter, certamente, um significado maior. Parece-me absurdo que algo tão constante na nossa vida se limite a existir só por existir- ou será apenas a minha irremediável condição humana que me faz procurar mais um porquê? Irresistível vício de pensar...
Na verdade, esta espera tem a sua vantagem: esperamos e sonhamos... Eu, pelo menos, sonho! Sonho com um rosto melhor, com uma palavra melhor, com um futuro melhor... E nestas esperas e nestes sonhos, encontras a força para sair do elevador e construir a felicidade que sonhas e que ... esperas!
Silêncio
Muitas vezes o silêncio torna-se imperativo, mas nada mais difícil do que um pouco de ausência do mundo em nós... Retiro! Talvez a palavra evidenciasse um pouco de paz, um momento em que nos envolvemos em nós e nos sentimos mais nós, simplesmente nós... Um pouco de sombra, uma aragem que brinca com o cabelo já revolto e um banco de jardim... Cenário perfeito de contemplação de mim mesma... Eis então que os sons se revelam: um passaro que saltita, o vento que brinca nas folhas, um insecto que rasteja... Procuro ainda mais e consigo deixar de ouvir! Estou só!? Sinto que posso finalmente ouvir-me. Assusto-me com receio do que a minha voz me tem a dizer: todas as mágoas, rancores, incertezas, medos e ilusões. Estar assim despida diante mim é aterrorizador. Abro as páginas de salvação em busca de algum apoio e mergulho nas palavras amigas que rapidamente me transportam para um outro universo.
Silêncio? Imperativo... mas cobardemente fujo dele com receio de me ver pintada nas cores do meu espírito... Se fujo, porque me parecem tão intrusivas as vozes humanas que me despertam do meu torpor?!