01 julho 2009

Silêncio
Muitas vezes o silêncio torna-se imperativo, mas nada mais difícil do que um pouco de ausência do mundo em nós... Retiro! Talvez a palavra evidenciasse um pouco de paz, um momento em que nos envolvemos em nós e nos sentimos mais nós, simplesmente nós... Um pouco de sombra, uma aragem que brinca com o cabelo já revolto e um banco de jardim... Cenário perfeito de contemplação de mim mesma... Eis então que os sons se revelam: um passaro que saltita, o vento que brinca nas folhas, um insecto que rasteja... Procuro ainda mais e consigo deixar de ouvir! Estou só!? Sinto que posso finalmente ouvir-me. Assusto-me com receio do que a minha voz me tem a dizer: todas as mágoas, rancores, incertezas, medos e ilusões. Estar assim despida diante mim é aterrorizador. Abro as páginas de salvação em busca de algum apoio e mergulho nas palavras amigas que rapidamente me transportam para um outro universo.
Silêncio? Imperativo... mas cobardemente fujo dele com receio de me ver pintada nas cores do meu espírito... Se fujo, porque me parecem tão intrusivas as vozes humanas que me despertam do meu torpor?!

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