17 novembro 2009

15 outubro 2009

Mais

Cálida mão em regaço ardente
de sonhos perdidos no revés do poente
de palavras perdidas
de promessas esquecidas
nos vítreos olhos indecentes.
E aquando o ocaso
reluz na infinita desventura
o peito agora desnudo...
arranha, crava, mata...
Por fim a vileza nacarada
da busca de tudo em troca de nada

14 setembro 2009

SER UM DIA

Se um dia eu puder ser eu...
Postar alvissaras e contornar a dor...
Se eu, ainda que, num recanto do tempo pudesse criar um canto
e cantar!

Ai! se encontrar -te eu pudesse e prolongar -te as linhas do ser,
tu serias um dia o meu rodopio e a brisa fresca que refresca o calor do Estio.

Se uma noite, no cimo do Ser, encantares uma alma
chama -me na alvorada e na espuma do mar.
Quero sentir e olhar, a minha sombra na Lua e pensar
que se um dia for,
Talvez, quem sabe, possa ir sem chegar.

CART 2388

Aos combatentes do Ultramar (1961/74)

Tombou. Está suspenso nas areias movediças de um chão perene.Lentamente ergue-se e avista uma sombra, reconhece um gesto, um sorriso íntimo,Uma permanência estranhamente incómoda.Avança o soldado na parada, cumpre o dever e grita, e tomba e esconde-se e mata E morre pela pátria.Lá está ele novamente, a mover-se inquietante no cenário de outrora, servindo a amizade aos olhos aterrados de um herói promovido a pináculos inertes e embevecidos de galanteios.De repente, cega-se a claridade e ouvem-se granadas, minas anti-pessoais e estilhaçam-se os pensamentos. Retalhos que nos contam uma história maior.Finalmente, movido pelo grito que inflama o ser, levanta-se bruscamente e observa aquele amigo de outrora… tão esculpido pelos anos, de olhar petiz, inalterado, mas escondido nos planaltos ou numa savana escaldante.O teu amigo permanece contigo num cenário recôndito, nos calabouços de uma memória atroz, ladeados por carrascos de altas patentes que se esqueceram de vos alimentar.Divide a tua sede e a tua fome com ele e permaneçam unidos nos aquartelamentos da vossa angústia, da vossa coragem, assaltados pelos rebentamentos assíduos que vos ensurdeceram, amputaram e impediram de repousar.

ANTROPO ÁFRICA

África...
o local de todos os olfactos, de inúmeros ruídos e de sabores multiplicados...
Foi aí que nas proximidades do Rift, na Planície de Olduvai ou, quem sabe, numa outra periferia do Sudeste africano, a nossa estirpe germinou.
Local ideal para surgir... livre, partilhado, mas livre... sem delimitações convencionais.
Uma savana, feras e vegetação esparsa... uma demanda à qual valeu a pena sobreviver.
Esse continente de mil cores que inspirou poetas, matou soberanos e apaixonou Homens... Essa Terra que foi disputada, que provocou Ultimatos e assistiu à chacina de tantos.
Esse Clima que deu vida a personagens de filmes fenomenais. Essa África... minha, tua ou nossa que ainda não despertou e que continua a embalar emoções extremas.
Essa vida que não conheço, mas que me chega nos sonhos e que se materializa no pensamento, que me desvenda a complexidade genética e me despe de pudores sociais e comunitários.

08 setembro 2009

GRITO

Ai quem me dera gritar!Romper caminhos novos, derrubar pessoas e furtar... alegria minha gente, que é tempo de mendigar! E quem não for capaz de rastejar, vender sonhos em troca de migalhas, não se há- de arranjar!Venham todos! Já aqui, toca a andar! Vamos lá a farejar, detonem a miséria e amputem os regaços das vossas mães.Toca a andar... Não quero cheirar ninguém!Anda cá, não me deixes. Preciso de agarrar, morder e rasgar!Este inimigo no escuro... não lhe consigo tocar! É medonho, não me deixa sonhar! Quero -o agarrar! Mas não consigo parar e fazer algo por mim.Ai! Que é triste! um asno a praguejar!Não consigo, que pena de mim!Pára de gritar! Esta perseguição impede -me de avançar e, por tanto medo ter, não sei como devo ser.

25 agosto 2009

viagem [2]



outras viagens no regresso.

Plenitude

Momentos de tão repleta plenitude são raros… Um livro, uma viagem, um sonho que inesperadamente se torna real e partimos à descoberta do que somos. Não! Do que queremos ser… Ousamos abraçar esse ser desconhecido, que tantas vezes escondemos sem perceber! Eis então que o olhar perspicaz nos revela no lápis escorreito sobre papel! Simplesmente sublime!

viagem [1]




viajar é ler o mundo.

31 julho 2009

Se o sonho se pudesse evitar, que belo seria o sonho que não teríamos de enfrentar cada vez que nos atrevemos a acordar!
Separo-me de ti pela segunda vez e uma vez mais fico contigo. Será este aperto a minha forma de te dizer que te sinto ou a simples expressão estupidamente inesperada da minha insegurança? Nada parece fazer sentido quando sei que não te posso falar, ver, sentir...
Toda a minha força parece ter ficado contigo, a apoiar-te! Deixei-me ficar com o pouco que tenho: tudo o sinto e que tanto me assusta, que tanto me domina, a ponto de já não me sentir eu. Será isto Amor? Será? É, talvez, apenas, o que sublimemente, na minha insignificância, sinto por ti.
Bem sei que a distância pode ser cruel, mas pensa bem em nós... Esta distância permite-nos imaginar, recriar, reinventar toda a nossa história, o nosso rosto, a nossa pele. Na verdade, muito mais aterrorizador pode ser o reencontro, e com ele, a invariável desilusão que se adivinha ao encontrarmos a velha história, rosto e pele.
Volta depressa!

01 julho 2009

Esperas...

A espera sempre por algo, por alguém, tem um carácter quase filosófico. Torna-se insistente na forma como dissimuladamente compõe a nossa vida. A espera para entrar, para sair, para apanhar o elevador, para chegar ao trabalho - em filas de chapa intermináveis - para iniciar a contagem que se espera - nós e eles - que termine rapidamente. E esperamos!
Se tantos momentos são só de espera, estes devem ter, certamente, um significado maior. Parece-me absurdo que algo tão constante na nossa vida se limite a existir só por existir- ou será apenas a minha irremediável condição humana que me faz procurar mais um porquê? Irresistível vício de pensar...
Na verdade, esta espera tem a sua vantagem: esperamos e sonhamos... Eu, pelo menos, sonho! Sonho com um rosto melhor, com uma palavra melhor, com um futuro melhor... E nestas esperas e nestes sonhos, encontras a força para sair do elevador e construir a felicidade que sonhas e que ... esperas!
Silêncio
Muitas vezes o silêncio torna-se imperativo, mas nada mais difícil do que um pouco de ausência do mundo em nós... Retiro! Talvez a palavra evidenciasse um pouco de paz, um momento em que nos envolvemos em nós e nos sentimos mais nós, simplesmente nós... Um pouco de sombra, uma aragem que brinca com o cabelo já revolto e um banco de jardim... Cenário perfeito de contemplação de mim mesma... Eis então que os sons se revelam: um passaro que saltita, o vento que brinca nas folhas, um insecto que rasteja... Procuro ainda mais e consigo deixar de ouvir! Estou só!? Sinto que posso finalmente ouvir-me. Assusto-me com receio do que a minha voz me tem a dizer: todas as mágoas, rancores, incertezas, medos e ilusões. Estar assim despida diante mim é aterrorizador. Abro as páginas de salvação em busca de algum apoio e mergulho nas palavras amigas que rapidamente me transportam para um outro universo.
Silêncio? Imperativo... mas cobardemente fujo dele com receio de me ver pintada nas cores do meu espírito... Se fujo, porque me parecem tão intrusivas as vozes humanas que me despertam do meu torpor?!

03 junho 2009

Skin

Hand in hand
A soft breath percieved
Fingertips on uncouvered shoulders
Sweet lips on unrevealed hips
veiled warmth yet in store
A despaired urge to achieve
the secret secretly closed
underneath...

13 maio 2009

Montes de luas...
Embrace

Hold me...
deeply,
passionately,
thoroughly.
Hold me...
As if there's no tomorrow
so that there's never sorrow
of hands unhold
of stories untold.

12 maio 2009

Acedi...

Acedi. Aqui nada importa! O meu nome não é importante. O meu aspecto não é importante. Nada em mim é importante … só o que sou. Nem sei bem o que me atraiu em ti. Fiquei nervosa sem perceber. Algo me dizia para continuar, que estava no caminho certo. Ainda hesitei, procurei fugir ao que se apresentava como inevitável. O meu coração apertava-se reclamando a exposição tão ansiada. Estava cansada do tormento, da dor do medo. Queria deixar o passado. Queria poder viver sem que um gesto inocente me acordasse as dolorosas lembranças.
Pediste-me docemente que ficasse. Cedi. Pela primeira vez cedi… algo que não me perdoarias nunca, todas as vezes que cedi… Falámos durante o que me pareceu vinte minutos mas foi na realidade duas horas! Falámos de sexo, de prazer, de ousadias ocultas nas pontas dos dedos que premiam as teclas desajeitadamente. Pediste-me o mail. Dei. Pediste-me o telefone. Dei, depois de ter o teu.

Deixa o computador com um sorriso nos lábios, com um sorriso que logo afasta como ridículo, mas que tu passarias a provocar incessantemente.