14 setembro 2009

CART 2388

Aos combatentes do Ultramar (1961/74)

Tombou. Está suspenso nas areias movediças de um chão perene.Lentamente ergue-se e avista uma sombra, reconhece um gesto, um sorriso íntimo,Uma permanência estranhamente incómoda.Avança o soldado na parada, cumpre o dever e grita, e tomba e esconde-se e mata E morre pela pátria.Lá está ele novamente, a mover-se inquietante no cenário de outrora, servindo a amizade aos olhos aterrados de um herói promovido a pináculos inertes e embevecidos de galanteios.De repente, cega-se a claridade e ouvem-se granadas, minas anti-pessoais e estilhaçam-se os pensamentos. Retalhos que nos contam uma história maior.Finalmente, movido pelo grito que inflama o ser, levanta-se bruscamente e observa aquele amigo de outrora… tão esculpido pelos anos, de olhar petiz, inalterado, mas escondido nos planaltos ou numa savana escaldante.O teu amigo permanece contigo num cenário recôndito, nos calabouços de uma memória atroz, ladeados por carrascos de altas patentes que se esqueceram de vos alimentar.Divide a tua sede e a tua fome com ele e permaneçam unidos nos aquartelamentos da vossa angústia, da vossa coragem, assaltados pelos rebentamentos assíduos que vos ensurdeceram, amputaram e impediram de repousar.

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