Estou cansada de fugir... Fugir porque me apresso, me ocupo, me distraio. Estou cansada de fugir do riso com gosto, do olhar, do abraço comum. Estou cansada de sorrir quando não me apetece, de calar quando só quero gritar, de acatar quando só quero dizer não! Estou cansada de fugir de mim só porque já não sinto, já não penso, já não sou.
Será tristeza ou simplesmente o vazio? Nem as ideias, outrora ricas, parecem querer fazer-me companhia. Será vazio tudo o que nos espera quando amadurecemos? Vazio e um cansaço de não saber já o que dizer e ter de forçar, de cuspir, uma, duas, três palavras para preencher o silêncio que nos desmascara.
Regressei recentemente a alguns escritos de juventude e a minha primeira reacção foi pensar que era alucinada. Agora não posso deixar de pensar que era alucinada mas viva, idiota. Louca, mas voraz pelo mundo, pelos sonhos, pelas palavras.
Agora, tudo o que sinto é só este cansaço. Vazio. Silêncio. Ausência permissiva de palavras que mascaro com intelectualidade. Cansaço. Vazio. Silêncio. Nada.
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